Me sinto sozinho,
frio,
como se o mundo inteiro esquecesse
que existo.
Esperanças?
Vislumbres frágeis,
reflexos distorcidos
de um futuro que nunca vem.
Erro,
erro de novo,
e cada tropeço me ensina apenas
que acertar a direção
é um luxo que talvez não seja meu.
Doenças, perdas, derrotas, miséria —
palavras que deixaram de ser notícias
e viraram rotina.
Eu sinto medo.
Não por mim.
Mas pelos que ainda andam ao meu lado,
cegos na mesma guerra,
sem saber se amanhã chega.
Temo ser o elo fraco,
o que não consegue
puxar ninguém para fora.
Os dias encurtam,
as noites mais ainda.
Tudo é silêncio,
e as promessas…
promessas são fumaça,
ideias abstratas
que se dissolvem no ar pesado.
Há um véu sobre mim,
sobre tudo,
e ele me cega.
Mas eu preciso fazer isso parar.
Nem que seja no grito,
nem que seja no escuro.
Nem que seja sozinho.
Porque mesmo perdido,
ainda respiro.
E enquanto houver fôlego,
há chance de recomeço.
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